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Blog da Arco Informática

08 de Junho de 2021 - 09h01

Comércio eletrônico turbina MEIs durante a pandemia

A pandemia turbinou os negócios dos microempreendedores brasileiros, especialmente por causa das vendas do comércio online

Comércio eletrônico turbina MEIs durante a pandemia
Comércio eletrônico turbina MEIs durante a pandemia
Quase 10% dos que iniciaram o próprio negócio como microempreendedores individuais em 2019 e se mantiveram ativos nos últimos 12 meses viraram empresas maiores, revelou um estudo feito a pedido do ‘Estadão’ pela Serasa Experian, consultoria especializada em informações financeiras.

A taxa de ascensão dos microempreendedores individuais (MEIs) em 12 meses até março deste ano, de 9,1%, é mais que o triplo da registrada entre 2017 e 2019, que foi de 2,7%. “Aumentou bastante a fatia de microempreendedores que conseguiram fazer um upgrade de seus negócios por conta do desempenho financeiro muito positivo”, afirmou o economista Luiz Rabi, responsável pelo estudo.

Para chegar a esse resultado, foi avaliado o faturamento de 700 mil MEIs entre abril de 2020 e março deste ano que estavam funcionando regularmente. “Empresa morta não foi considerada”, disse o economista.

Os microempreendedores que ganharam musculatura e passaram a ser micros ou pequenas empresários faturaram mais que R$ 81 mil no ano ou R$ 6.750 mensais.

Tornar-se um microempreendedor individual hoje é uma alternativa comum a milhões de desempregados para obter renda no momento em que a desocupação no País atinge níveis recordes. Dos 3 milhões de empresas abertas anualmente no Brasil, atualmente cerca de 80% são MEIs.

Microempreendedores voltados para o comércio foram os que mais conseguiram ascender no período, com 10,8% deles passando a gerir empresas maiores, apontou o estudo. É um resultado que está acima da média (9,1%).

A mobilidade dos microempreendedores com negócios ligados à indústria, à produção rural e aos serviços foi menor. Em 12 meses até março deste ano, 7,9% dos microempreendedores individuais industriais viraram empresas de porte maior. Na produção rural e nos serviços, essas marcas foram de 6,8% e de 8,4%, respectivamente.

Vendas na pandemia
Um porcentual maior de empresas do comércio conseguiu ampliar o faturamento e se tornar maior na pandemia em relação ao de outros segmentos, como o de serviços, por causa da mudança do padrão de consumo. Com as restrições à abertura das lojas físicas, o varejo online avançou. “Na pandemia, os brasileiros passaram a consumir mais produtos do que serviços”, observa Rabi. Além disso, a prestação de serviços é pequena no online.

Na análise do economista, os MEIs viraram empresas maiores sobretudo por causa de estímulos fiscais monetários dados pelo governo para atenuar os efeitos da pandemia. E, em razão das restrições à circulação de pessoas, esses recursos foram canalizados para o comércio online.

Pesquisa recente da consultoria para avaliar o impacto da pandemia nas micro, pequenas e médias empresas, revelou que 73,4% desses empreendedores vendiam ou passaram a vender produtos e serviços online, com destaque para redes sociais – WhatsApp (72%), Instagram (44%), Facebook (36,7%) – e shoppings virtuais ou marketplaces (24,7%).

Entre março do ano passado e abril deste ano, 2,5% dos microempreendedores individuais ativos que vendiam produtos no marketplace do Magazine Luiza, por exemplo, ultrapassaram a barreira de vendas de R$ 81 mil por ano. Eles deixaram a categoria de MEIs e viraram empresas maiores, contou Mariana Castriota, gerente do shopping virtual da empresa. “Essa é uma taxa significativa.”

Na sua avaliação, a ascensão é um movimento muito agressivo para o microempreendedor que nem sempre tem estoque suficiente para vender mais de R$ 6.750 por mês. O traço comum entre aqueles que conseguiram mudar de patamar de vendas foi, na sua opinião, a perspicácia de ter produto com preço adequado.

No fim de março de 2020, logo no início da pandemia, a varejista acelerou a implantação do projeto batizado de Parceiro Magalu para digitalizar as micro e pequenas empresas analógicas que ficaram de mãos atadas por causa das restrições ao funcionamento do comércio. Foi criada uma série de ferramentas no marketplace para facilitar a conexão dessas companhias com o mundo online.

Para o consultor Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), antes mesmo da pandemia, os marketplaces já vinham passando por um processo de modernização ao criar vários serviços para os lojistas, como plataforma de pagamento, crédito e logística, por exemplo. “A pandemia só colocou velocidade no processo de modernização para os marketplaces se tornarem ecossistemas, foi coincidência.”

De vendas para vizinhança a varejista nacional
Em abril de 2020 fazia seis anos que Raphael Chiarelli tinha aberto com a mulher, fonoaudióloga, uma loja física no Jardim São Paulo, zona norte da capital paulista. Com o nome fantasia Soluções Auditivas, a loja vendia basicamente aparelhos para surdez e pilhas para clientes que moravam na vizinhança.

Quando começou a pandemia do coronavírus, um pouco antes do período de fechamento total do comércio, a freguesia sumiu. “Fiquei uns 20 dias sem vender para ninguém”, contou Chiarelli.

A maioria dos seus clientes é de idosos, na faixa de 75 a 80 anos, o grupo mais vulnerável à Covid-19. Diante da queda abrupta no movimento, a saída para não fechar as portas da loja física foi ingressar em shoppings virtuais. “Sempre fui meio pé atrás com o e-commerce porque não imaginava que idoso comprasse pela internet.”

Para a surpresa de Chiarelli, o faturamento deu um salto. Depois de oito meses no e-commerce ele, que era microempresário até então, se viu dono de uma pequena empresa. A venda anual da loja física, que antes variava entre R$ 580 mil e R$ 610 mil, atingiu R$ 3,8 milhões em dezembro do ano passado. Hoje a loja tem mais de 45 mil clientes no Brasil.

A proeza desse resultado é que ele foi atingido sem vender o aparelho de surdez, o item de maior valor. De acordo com as regras dos órgãos de saúde, não é permitido comercializar o equipamento pela internet. Por isso, o foco do negócio online foi para as pilhas e outros produtos geriátricos, como bengalas, fraldas, por exemplo, num total de 35 itens. Hoje ele comercializa mil cartelas de pilhas auditivas por semana no varejo online, ante oito quando só tinha loja física.

Fonte: https://www.ecommercebrasil.com.br/noticias/comercio-eletronico-meis-coronavirus/
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